Boletim 04/01/26
Tema do Mês: Recomeços
“Mas o vaso de barro que ele estava fazendo não saiu como ele desejava; por isso, amassou o barro e começou novamente.” (Jeremias 18.4)
Texto: Isaías 43.18–19 / Jeremias 18.1–6
QUANDO DEUS NOS LEVA AO PRÓXIMO LUGAR
Em algum momento da vida, todos nós chegamos à percepção de que algo
precisa mudar. Não necessariamente porque tudo deu errado, mas porque do
jeito que está, não é mais possível continuar. Com frequência, estabelecemos
metas e desejos de mudança, mas esquecemos que não há transformação
verdadeira quando insistimos em agir sempre da mesma forma. Diante disso,
surge silenciosamente em nosso coração uma pergunta essencial: será que a
vida que estamos vivendo tem agradado a Deus, ou algo precisa ser ajustado?
É com esse entendimento que iniciamos a série Recomeços. A Escritura não
apresenta Deus como alguém que reage aos acontecimentos de forma
improvisada. Pelo contrário, a Bíblia revela um Deus soberano, intencional e
absoluto, que conduz a história conforme a Sua perfeita vontade. Por isso,
quando falamos de recomeços, não estamos tratando de um “plano B”, mas de
desdobramentos do plano eterno de Deus no tempo.
Em Jeremias 18, o profeta é enviado à casa do oleiro não para ouvir um
discurso, mas para observar um processo. Deus ensina que Ele governa não
apenas o fim, mas também o caminho até esse fim. Uma das grandes lições
desse texto é que nem todo recomeço é consequência de uma falha; muitos
recomeços são resultado da soberana decisão de Deus de nos conduzir ao
próximo propósito.
Mudar, no entanto, costuma gerar medo. Na maioria das vezes, não tememos a
Deus, mas tememos o que Ele pode mudar em nossas vidas. Estamos
acostumados com nossa maneira de viver, com nossos métodos e rotinas.
Recomeçar nos tira do conforto, da comodidade e da previsibilidade que
aprendemos a chamar de segurança. Por isso, a pergunta que precisa ser feita é
se a maneira como estamos vivendo hoje comporta, de fato, o propósito de
Deus para nós.
Jeremias relata que o vaso de barro que o oleiro estava fazendo não saiu como
ele desejava e, por isso, ele amassou o barro e começou novamente. O texto não
diz que o vaso caiu, que se perdeu ou que foi descartado, mas que estava nas
mãos do oleiro. O lugar mais seguro do barro não é a forma final, mas a mão
que o molda. Deus sabe que não somos perfeitos e, por isso, nos molda
conforme a Sua vontade. O problema surge quando o barro tenta resistir à mão
do oleiro.
Como bem afirmou R.C. Sproul, “a essência do pecado humano é a tentativa de
inverter os papéis entre Criador e criatura”. Deus tem pleno direito de mudar a
forma quando quiser, pois o propósito sempre foi dEle. Muitas vezes, Ele
permite o desconforto não por medo de nos perder, mas para nos alinhar ao
Seu propósito. O texto também não afirma que o barro era inútil; apenas revela
que ainda não estava de acordo com o que o oleiro desejava. Há fases em que
Deus muda o ambiente, o ritmo e as responsabilidades, não porque erramos,
mas porque Ele está nos amadurecendo. Deus não afunda os Seus propósitos;
Ele os aprofunda em nós.
Recomeçar, nas mãos de Deus, frequentemente está ligado ao crescimento.
Abraão, por exemplo, não estava em pecado quando Deus lhe disse: “Sai da tua
terra”. O recomeço acontece conforme a vontade do oleiro e isso exige de nós
confiança, submissão, dependência, humildade e obediência. Os pensamentos
e caminhos de Deus são mais altos que os nossos, e o barro não escolhe a
forma, mas confia plenamente no caráter do oleiro.
Enquanto Jeremias nos apresenta o processo do recomeço, Isaías nos revela o
resultado. Deus afirma que está fazendo algo novo, abrindo caminhos no
deserto e fazendo rios na terra seca. Deus não muda a forma sem preparar o
caminho e não refaz sem saber onde irá nos colocar. Aquele que começou a
boa obra em nós há de completá-la até o dia de Cristo Jesus. O recomeço de
Deus sempre aponta para frente.
Biblicamente, recomeçar não é voltar ao início, nem apenas corrigir um erro
ou repetir uma história. Recomeçar é confiar que a soberania de Deus é boa,
mesmo quando a forma muda. Talvez estejamos vivendo um tempo de
transição, uma mudança inesperada, um desconforto espiritual ou um novo
chamado. A pergunta errada não é por que Deus está mudando isso, mas se
continuamos nas mãos do oleiro. O nosso futuro está nas mãos do Senhor.
Nosso recomeço não começa em Jeremias 18, mas na cruz de Cristo. A Ceia do
Senhor nos lembra que todas as vezes que comemos o pão e bebemos do cálice
anunciamos a morte do Senhor até que Ele venha. Foi na cruz que o Filho de
Deus foi quebrado para que não fôssemos descartados, foi moído para que o
barro pudesse ser refeito e foi entregue para que permanecessemos nas mãos
do Pai. A mesa não é apenas memória, é confirmação da graça que nos
sustenta durante todo o processo.
Ao participarmos da Ceia, declaramos que confiamos nas mãos que nos
moldam, pois são as mesmas mãos que foram transpassadas por nós. A Ceia
nos ensina que o passado não nos define, que a forma antiga não nos prende e
que o futuro está seguro nas mãos de Deus. Participar da Ceia é um ato de
rendição ao oleiro, ao processo e ao propósito. Recomeçar com Deus não é
voltar para trás, mas permitir que Ele nos leve mais fundo no Seu propósito,
não com medo da mudança, mas com confiança naquele que prometeu.
Pr. Willian de Souza Felippe
– Para a igreja que sonhamos novos recomeços
– Orar pela nossa liderança da nossa igreja.
Reunião de Oração – em recesso
Tarde Cristo é vida – todas às terças-feiras as 15:15h no Templo.
Princípio
Assertividade
(Mateus 5.37; Romanos 15.2, 14; Gálatas 6.1; Efésios 4.15)
Vou conversar com você no tempo certo, de maneira franca, respeitosa, direta,
amorosa, sincera e controlada, a respeito de situações pessoais e da maneira de viver
a vida cristã. Desse modo, a cada dia, cresceremos na comunhão, na fé e no amor, e
nos revestiremos continuamente de Cristo.
Texto para interação:
Recomeçar com Deus não significa que tudo deu errado, mas que Ele continua
trabalhando em nós. Assim como o barro permanece nas mãos do oleiro,
mesmo quando a forma muda, nós também estamos seguros quando Deus
decide nos conduzir a um novo lugar. O processo pode gerar desconforto, mas
nunca perda de propósito. Deus não nos refaz para nos descartar, e sim para
nos alinhar ao que Ele deseja realizar em nós. O recomeço é sinal de cuidado,
soberania e graça.
Perguntas para reflexão
1. Em que área da minha vida Deus pode estar me conduzindo a um
recomeço, não por erro, mas por amadurecimento?
2. Tenho confiado mais na forma que conheço ou nas mãos do Oleiro que
me moldam?
3. O que preciso entregar hoje para permanecer sensível ao propósito de
Deus nesse processo
Deus abençoe! Boa Semana!